FREDTALKS
O Cérebro Errante: Dos Limites às Potencialidades

  • 19 setembro 2019

  • 15:00 — 16:00

  • Anfiteatro II — Faculdade de Psicologia da ULisboa

ORADOR
Óscar Gonçalves
Escola de Psicologia
da Universidade do Minho

Resumo
O modelo dominante de eficiência cognitiva tem sido equacionado como sinónimo de promoção de processos de atenção focalizada em prol do erro zero. Os processos de “atenção focalizada – erro zero” têm sido associados à dominância de determinadas redes cerebrais (rede executiva). A predominância da rede executiva de “atenção focalizada-erro zero,” ainda que essencial à promoção da rapidez e acurácia na resolução de problemas de solução única, mostra-se insuficiente para lidar com a maioria dos dilemas que o ser humano enfrenta no quotidiano, particularmente aqueles envolvendo questões sociais e morais. No limite, aquilo que parece ser um mecanismo útil de sobrevivência em dicotomias “sim-não” (por exemplo, “fight or flight”) pode transformar-se num tipo de “distúrbio autoimune” em que o cérebro se vira contra si próprio (por exemplo, perturbação obsessivo-compulsiva). Pelo contrário, um modelo complementar de “errância mental – certeza zero” pode mostrar-se mais viável em problemas que não impliquem uma única resposta certa. Estes processos de “errância mental – certeza zero” estão associados à predominância de redes cerebrais complementares (rede “default mode”). A cooperação entre estas redes cerebrais (“default mode” e executiva) pode ajudar a prevenir os riscos de uma sobrecarga de estratégias de “atenção focalizada – erro zero”, promovendo níveis de funcionamento mais reflexivos, criativos e de maior sensibilidade contextual, social e moral.